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sábado, 1 de outubro de 2011

Ao ver ele disse-lhe:





- Boa noite meu doce vampiro,
Me pegue com toda a sua força
E me leve junto a seu corpo frio,
Só assim saberei se estou viva
Arranca-me um beijo,
Assim te darei tudo que tenho,
Se acaso eu morrer,
Morrerei feliz em tê - lô.

Olhou para mim, assim grito com mais força:

" - Ah! meu vampiro,
Te amo tanto,
Mesmo sendo apenas um miserável mortal,
Me morda e me leve junto a ti para imortalidade"

Ao me virar de costa, senti ele respirando
E me disse sussurrando no meu ouvindo:


" - Bate por mim, coração mortal,
Vem para mim, a bem ou a mal.
Deseja-me com toda a tua alma,
Sonha comigo quando a noite desce,
Vem para mim, quero-te na minha palma,
Pois estou á tua espera.
Que nada te retenha,
Pois a mim pertences.
Assim seja.”

Deitou-me em sua cama,
Aos mortais disse adeus,
E a ele me entreguei....

Desejo



Quero-te ao meu pé na hora de morrer,
Quero ao partir, levar-te, toda a felicidade,
O doce olhar de sonho, ó vida dum viver
Amortalhada sempre á luz duma saudade!

Quero-te junto a mim quando o meu rosto branco
Se ungir da palidez sinistra do não ser,

E quero ainda, amor, no meu supremo arranco
Sentir junto ao meu seio o teu coração bater!

Que seja a tua mão tão branda como a neve
Que feche o meu olhar numa carícia leve
Num passar de pétala de lis..

Que seja a tua boca com muito sangue
Que feche a minha, até que minha boca se enxague!
Ah! agora posso morrer, que morrerei feliz.!


Quero



Eu respiro o perfume do lírio do campo Que já não sustenta mais de angúnstia Sangram as lágrimas que caem... Suspira à saudade que varre as lembranças.. Quero cair....quero me jogar ao longe onde nada mais me acolherá Quero derramar sozinha minhas lágrimas Como o lírio, quero me isolar... mesmo que eu sangre até a sublime morte... Quero deitar-me sob a terra e observar a beleza de estar vulnerável e sozinha Ser absorvida para seu interior Ser parte da sua essência É tudo que quero e penso em sentir Em meus mais profundos momentos de desespero Quando minha alma exala o som da morte Ao mesmo implícita o desejo de estar permeando a beleza vivida aos antepassados Um desejo que arde...que anseia a intorromper esse sentimento Mas que não tem forças para lutar a isso... A esperança que resta não basta... Liga-se a mim por apenas um trêmulo fio Que a qualquer momento, assim como minha vida, poderá se romper.

Presa




A Doçura de um Anjo Perdida entre as asas de um anjo. 
Não consigo distinguir o que é real. Perdida na doçura de um encanto. 
Arrepio-me ao sentir um estranho sopro em meu pescoço.
Mas me surpreendo na curiosidade que mostra o meu corpo. 
Presa na tortura de uma razão. Vencida pelos meus desejos. 
Estou presa entre doçura e lágrimas. Estou presa entre amor e ódio. 
Presos entre sorrisos e lágrimas. Amarrados por nossos corações. 
Que vá embora a saudade que me domina.
 Que vá embora encontrar seu destino E venha mais uma vez iluminar o meu caminho. 
Mostre-me a paz que eu vejo em meus sonhos. Perdida nas carícias de um anjo. 
Surpreendo-me no desejo que mostra o meu corpo Quando sinto o teu sopro no meu pescoço. 
Surpreendo-me ao me entregar às carícias de uma loucura. Sinto em meu corpo a tortura do meu subconsciente. Amarrada aos braços de um anjo. 
Entrego-me a uma loucura. E que se vá as razões que ficam a me dominar. 
Estou presa na doçura de um anjo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O CADÁVER


Como pode tão branca derme
não atrair da terra os vermes,
E nem do céu a neve como berne
Deste frio cadáver embalsamado em germe?
Do vinho ao sangue que me lavo,
Da carne a alma em que me salvo,
Sou tão cadáver quanto tu, princesa deste salmo,
Sou tão abstrato quanto o fundo de seu covil…um palmo.
Como pode uma mão tão fria
Ocultar como um vel
Os olhos de um anjo ao cair do céu?
Espero-te no inferno perguntar-me em prosa
O por que parei de me alimentar de tua carne,
Responderei em versos que tua alma é mais saborosa.

Lord Byron.

A Minha Tragédia


 


Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minh'alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste, noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade!...

Eu não gosto de sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...
 


Florbela Espanca

SOLITÁRIO


Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-- Velho caixão a carregar destroços --

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!


Augusto dos Anjos